quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Palavra, imagem e encontros

Sou fã do trabalho do fotógrafo Tiago Santana, que por sinal esta lançando hoje, juntamente com 0 jornalista Audálio Dantas, no Centro Dragão do Mar de Fortaleza-CE, o livroO Chão de Graciliano”.

E resolvi publicar aqui no blog este artigo publicado no jornal O Povo, do dia 19/08/2007.

Tiago Santana, fotógrafo cearense, fala sobre o processo criativo de fotografar. Neste artigo ele analisa, o ensaio que deu origem ao livro O Chão de Graciliano, seu novo trabalho

Quando me solicitaram este artigo, a primeira coisa que perguntei foi se não poderia trocar as palavras escritas por fotografias. Na realidade comecei a fotografar exatamente para trocar a fala tímida da minha adolescência pela imagem.
A fotografia surgiu na minha vida como uma maneira de contar histórias e ajudar na minha reflexão sobre o mundo.

Durante a minha trajetória como fotógrafo, fui solicitado a falar sobre meu trabalho, o que me era muito difícil. Depois, enfrentando o desafio, comecei a descobrir muito sobre o meu fazer fotográfico, ao falar sobre ele.

Tenho procurado encontrar formas que liguem a minha fotografia às particularidades do meu lugar e que dialoguem com outros espaços-tempo. Talvez uma busca pela singularidade, em um mundo tão cheio de redundâncias. Encontrar uma forma de contar histórias com sutileza, estranheza, mistério.

Nos trabalhos a que mais me dediquei e que viraram livros, Benditos e agora O Chão de Graciliano, tento ir além do exotismo, do populismo que muitas vezes se tem em relação ao Nordeste, e mais precisamente ao sertão. Vejo tais trabalhos como uma busca do encontro com o outro. Busca na singularidade daquelas pessoas, em seus lugares, olhares e paisagens que me inquietam e me impulsionam a fotografar, como se eu quisesse, não só desvelar algo, mas também criar. Mostrá-los para os outros, mas, sobretudo para mim. Recriá-los em mim, como se, na tentativa de compreender um pouco sobre o outro, pudesse me (des)conhecer também.
O Chão de Graciliano foi um mergulho no universo do grande escritor Graciliano Ramos. Um desafio de interpretar com imagens o que ele fez brilhantemente com as palavras. Descobri nesse chão, que a fotografia tem muito da forma de escrever do "Velho Graça". Ele usava as palavras de forma sucinta, quase cirúrgica e dizia que as palavras não foram feitas para enfeitar, brilhar como ouro falso. As palavras foram feitas para dizer.

O que se poderia contar em uma lauda, ele dizia muito bem em um parágrafo. Esse poder

de síntese, sem perder a força, sem deixar de falar o essencial, omitindo o que deve ficar na imaginação e na construção do leitor, é o que, penso, a boa fotografia deve ter. O que se pode mostrar com várias imagens, pode estar em uma única imagem potente, capaz de fixar e perdurar.

Nesse mundo movido pela efemeridade da informação, considero um privilégio ter feito esse ensaio. Foi como voltar ao tempo onde se tinha "tempo" para esse tipo de fotografia. Poder se dedicar sem pressa, sem pautas fechadas, sem horário de fechamento, sem pressão dos sites, dos blogs ou das agências de notícias.

Atento ao mundo da fotografia contemporânea, sinto-me muitas vezes tentado a mergulhar em trabalhos mais abstratos, mais conceituais, mais experimentais, como conseqüência de alguém que está pensando e refletindo sobre o que faz. O que não se deve é simplesmente abusar dos "clichês da ruptura" para entrar no mundo dos discursos vazios. A meu ver, a superação pela superação muitas vezes neutraliza a potência do passado, a transformação do futuro e impede a emergência da singularidade, levando apenas ao consumo descartável.

Neste meu último trabalho, comecei a dar os primeiros passos em um formato novo para mim, e que é um desafio: fotografar com panorâmica. Foi a partir de minha identificação com o trabalho de Josef Koudelka, que comprei uma câmera semelhante à utilizada em seu livro "Kaos". Porém, enquanto a maioria dos fotógrafos usa a panorâmica voltada para paisagens, tenho fotografado "paisagens humanas".

Essa não foi uma decisão solta, sem conexão com o que faço, mas algo que venho amadurecendo. Minha fotografia é uma composição de muitas situações e cenas que acontecem dentro do mesmo fotograma, em situações que dialogam dentro do mesmo quadro. Muitas vezes o formato se torna pequeno para as informações que desejaria incorporar. Com o formato panorâmico, existe a possibilidade de se ampliar esse espaço e preenchê-lo com esse discurso, aumentando os fragmentos, diluindo as cenas, expandindo esse campo de visão do mundo.

Desta forma, acredito que uma fotografia para ser contemporânea não precise necessariamente romper com os princípios básicos da imagem técnica. "Fotografia desconstruída", "fotografia expandida", "fotografia diluída", ou outras categorias utilizadas para se denominar uma linha de fotografia produzida hoje. Sem dúvida, existem grandes trabalhos com esse princípio, a exemplo de Rosângela Renó e Vick Muniz. Porém, isso não impede que a fotografia, mesmo dentro do quadro aparentemente clássico da fotografia tradicional, ou seja, usando os limites do fotograma, possa transgredir, diluir, desconstruir e expandir. Meu trabalho é uma tentativa de fazer isso usando os limites da linguagem que escolhi, pelo menos até hoje, para exprimir o meu sentir no mundo.

Recentemente participei de um festival de fotografia contemporânea, em Arles-França, onde o que predominava eram imagens que necessitavam estar atreladas a um discurso, a um conceito para se tornar legível. Pois bem, em meio a imagens-clichê e imagens-desconcertantes, encontrei um grande mestre da fotografia, o indiano Raghu Rai, que encanta não só pelas imagens, fortes e carregadas de intimidade com a Índia, mas pela pessoa, pelo pensamento do grande autor que ele é. Apesar da fotografia dele prescindir do discurso, foi muito bom ouvi-lo falar.

Segundo ele, não importa o lugar de onde se é, pois este sempre será, paradoxalmente, grande demais e suficiente para a vida de um fotógrafo. Suas palavras sobre a pretensão de fazer uma única foto que coubesse toda a imensidão da Índia, ecoaram em mim. Uma única imagem. Uma única palavra. Economia e profundidade em Raghu Rai e em Graciliano Ramos. Malgrado as especificidades de cada forma de linguagem, o que importa, ou o que deveria mesmo importar é a inquietação, a instigação, a busca...

Aí me vem de novo a importância de estar tentando me exprimir aqui não por imagens, mas por palavras, pois estes encontros me conduzem no exercício de ser fotógrafo hoje.

Tiago Santana, é fotógrafo e diretor do IFOTO - Instituto da Fotografia
Veja no link abaixo, entrevista com Tiago Santana na TV Unifor:

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Primeira imagem digital completa 50 anos




A primeira imagem digital produzida está completando 50 anos, com apenas 176 pixels, 5x5 cm, foi pioneira e abriu caminho para imagens de satélites, scanners, códigos de barras, máquinas digitais e para manipulação de fotos digitais.

A imagem que retrata um bebê, foi feita por Russell Kirsch, no National Bureau of Standards (NBS, agora conhecido por National Institute of Standards and Technology, ou NIST), e partiu de uma pergunta que Kirsch fez a si mesmo em 1957: “O que aconteceria se os computadores pudessem olhar para as imagens?”, bom, o resultado foi uma revolução no mundo da fotografia, tanto que em 2003 a revista Life escolheu a imagem do bebê feita por Kirsch como uma das "100 fotografias que mudaram o mundo".

O bebê da foto é o filho de Kirsch chamado Walden que hoje em dia trabalha na área de comunicação da Intel.

domingo, 19 de agosto de 2007

Pioneiro da fotografia

Clique na imagem e veja a materia completa no Jornal da Globo

19 de agosto é o Dia Internacional da Fotografia, e hoje vou reproduzir uma materia muito interessante, sobre um francês, um dos pioneiros da fotografia, que morou no Brasil.

Você vai conhecer um dos menos conhecidos e mais importantes pioneiros desta técnica; ele era francês e viveu no Brasil. Suas descobertas tornaram possível um sonho do século dezenove: eternizar imagens em papel.

Para entender essa história, é preciso fazer uma viagem no tempo. A primeira fotografia foi feita em 1826, na França, por Nicephore Niépce: era um retrato de telhados vistos da janela.

Louis Daguerre e Hippolyte Bayard continuaram os experimentos na França. Na Inglaterra, Fox Talbot tinha a mesma obsessão.

E em Campinas, no interior de São Paulo, um artista e cientista autodidata também fazia suas descobertas. Era outro francês, Hercules Florence.

“A fotografia não foi inventada por um único homem. Foi inventada pelo Niépce, foi reinventada pelo Daguerre, foi inventada na Inglaterra pelo Talbot e nas Américas pelo Hercules Florence", conclui o historiador Boris Kossoy.

Florence nasceu em Nice, na França e chegou ao Brasil em 1824, aos 20 anos. Aventureiro, ele queria dar a volta ao mundo, mas ficou por aqui; cedeu aos encantos do Brasil, que desenhou durante a expedição Langsdorff – um botânico alemão que comandou um grupo do rio Tietê ao Amazonas.

“Na expedição ele teria começado a pensar que deveria haver uma máquina que registrasse todas as figuras rapidamente. Ali, então, eu acho que começou alguma coisa na mente dele", acredita Tereza Cristine Florence, trineta de Hercules.

No início do século 19, em diferentes partes do mundo, vários pesquisadores tentavam eternizar a imagem. Parte do processo já era conhecida; faltava aperfeiçoar a técnica e descobrir como fixar a imagem no papel. Em seus manuscritos, Hercules Florence conta que utilizou amoníaco para esse fim.

Também foi ele quem usou, pela primeira vez na história, a palavra “fotografia”: do grego, ‘foto’ quer dizer luz; ‘grafia’, impressão. Isso foi em 1834.

"É bem provável que se possam fotografar desenhos de uma maneira pela qual apresentem prateados em campos coloridos", escreveu Florence. Só cinco anos mais tarde, a palavra seria empregada na Europa.

Em 1839, Daguerre descreveu minuciosamente seu processo de registro da imagem. Distante do centro do mundo, Florence pagou o preço do isolamento, quando soube pelos jornais da descoberta do conterrâneo.

“Ele descreve nos manuscritos, que ele sentiu um tremor, uma tontura, e ele quase veio a desmaiar. Ele esperava ainda ter um reconhecimento, ter o privilégio da invenção. Realmente, aquilo foi muito forte”, conta a bisneta do inventor, Leila Florence.

Hoje, Florence é citado na bibliografia internacional entre os pais da fotografia. Mas isso levou quase um século e meio pra acontecer: em 1976, a pedido do fotógrafo e historiador Boris Kossoy, químicos repetiram nos Estados Unidos as experiências descritas nos manuscritos, e provaram a história que ainda é pouco conhecida no Brasil.

“Naquele momento se considerava a Europa como centro da civilização, tudo partia de lá. Como é que isso vai acontecer também no Brasil? Então, tem gente que não consegue engolir essa história”, diz Kossoy. “Mas ela está documentada, e está cada vez mais divulgada”.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Dia dos Pais

Inicio o meu blog, mostrando um pouco da emoção de ser pai de duas lindas crianças, Sara e Ester. E nada melhor do que registrar os momentos emocionantes que passei com elas por ocasião das comemorações do dia dos pais.

Começou na sexta, 10/08/07, quando tirei o dia para ir a um passeio do colégio delas no Beach Park, este promovido para a turma da Sara. Foi muito divertido, tive a oportunidade de passar o dia com elas e suas amigas de sala de aula, bem como seus pais que a acompanhavam. Mas quem mais aproveitou os brinquedos foi minha amada esposa, onde teve a coragem de descer no INSANO e no CALA-FRIO, dois brinquedos que passei foi longe, fiquei só registrando através de fotografias. No final do dia minhas filhas eram só alegria, se divertiram muito.

No sábado, 11/08/07, foi o dia da sala da Ester, a mais nova de 3 anos. Fomos para um passeio pela manhã na Trilha do Cocó. As crianças ainda estavam muito cansadas da maratona do dia anterior, bem como e eu e minha esposa. Foi uma luta para elas levantarem, a Ester foi nos braços dormindo, chegando lá elas estavam com mau humor, mas com o decorrer do tempo o humor delas foi melhorando. Fizemos a metade da trilha, e muitos registros fotográficos. No final foi muito gratificante.

No domingo, 12/08/07, reunimos a família na casa de meu cunhado, onde avós, pais, filhos e netos comemoramos esta data em família.

Reflexão: Josué foi eleito por Deus para levar Seu povo a uma terra prometida, e deixou uma Palavra importante para nós:
"Eu e minha casa serviremos o Senhor." (Josué 24:15).

É isto que peço todos os dias ao meu Deus, em nome do seu Filho Jesus Cristo, que ele possa estar guiando e nos orientenado na condução de nossa família.