segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Entrevista com Vicki Goldberg



"Fotojornalismo deve inspirar confiança"

Amem-na ou odeiem-na. Vicki Goldberg, gargalhada sempre pronta, é uma das críticas fotográficas mais conhecidas, senão a mais conhecida, dos EUA. Dedica-se há duas décadas e meia à paixão pelas imagens. Tem uma ampla obra publicada em vários países. O DN entrevistou-a em Lisboa
Fotografia é uma arte?

Para mim, não é importante que lhe chamem arte ou não. Eu adoro fotografia. Desde a década de 70, quando ainda quase ninguém fazia crítica fotográfica.

E o fotojornalismo?

Escrevi um livro sobre isso, intitulado O Poder da Fotografia - Como as Fotografias Mudaram as Nossas Vidas. Foi em 1991, mas continua a ser regularmente reeditado. Guerras, eleições, reformas sociais, tudo o que o fotojornalismo capta faz parte das nossas vidas e não tem necessariamente de ser arte, basta ser verdade.

Também fotografa esse tipo de acontecimentos?

Não conseguiria fazer duas coisas bem ao mesmo tempo, portanto prefiro elogiar - e criticar, se necessário - o trabalho dos outros.

Photoshop: o que pensa desta técnica que, em algum tipo de fotografia, se tornou quase básica? No fotojornalismo, por exemplo, "retocar" as imagens para se obter este ou aquele efeito...

Fotojornalismo não é definitivamente a mesma coisa que arte fotográfica, independentemente de ser artístico ou não. Por isso, penso que a característica principal do fotojornalismo deve ser o grau de confiança que inspira em quem a vê. Uma imagem publicada numa revista ou num jornal deve ser fiável. Daí a necessidade sentida pelos bons media - que ainda os há - de impor regras nesta área...

Para que não aconteça como, em Agosto de 2006, durante a guerra do Líbano, quando a Reuters publicou uma imagem de Beirute cheia de fumo, tirada pelo freelancer Adnan Hajj, mas que veio a descobrir-se que passou primeiro pelo Photoshop?

Sim, mas esse homem foi despedido e a agência retirou centenas de fotografias suas que tinha em arquivo. E muito correctamente, na minha opinião. Porque se não confiamos nas notícias, em quê iremos confiar? Onde estamos, afinal? Já se pode inventar tudo, nesse caso.

E quando são as próprias agências noticiosas a pressionar os profissionais da imagem, exigindo-lhes sempre mais?

Isso não é de agora, faz-me lembrar aquela história de 1898, durante a guerra americano-espanhola, quando o fotógrafo Richard Hardy Davis foi enviado especial e depois informou 'volto para casa, não há guerra nenhuma'. Então, o director William Randolph Hearst escreveu-lhe o seguinte: 'Mande as fotografias que eu trato da guerra.'.Foi o que ele fez. Serve isto para dizer que esse ramo do jornalismo tem uma grande responsabilidade: o compromisso com a verdade. Mas nem é preciso recorrer ao Photoshop para, eventualmente, adulterar o que vemos. Tiramos uma fotografia, não fazemos acrescentos nenhuns, mas podemos ter a tendência de só mostrar aspectos positivos ou negativos de uma dada situação.

Aceita a censura a priori que consiste no hábito de os famosos só aceitarem a publicação de imagens suas retocadas?

Não tenho muito a ver com celebridades (risos)... Quando Elizabeth Taylor apareceu a publicitar um perfume, há uns anos, a cara parecia a de uma criança de quatro anos, parecia que estava assim há anos e anos... Mas isto faz parte do mundo da moda e da publicidade. Penso que as pessoas sabem disso e aceitam. Até porque ninguém está à espera de algo diferente. Tudo depende do sítio onde se publica. Mas com notícias é diferente. Se uma fotografia é publicada na primeira página do New York Times é bom que seja verdade, fiável. Se é publicada num tablóide, daqueles que costumam inventar notícias, que diferença faz? Há muitos anos, um desses jornais tinha uma manchete a dizer "russos aterram na Lua" e a fotografia era um avião na Lua. Ora, o avião era quase tão grande como a Lua (risos). Ninguém com um mínimo de juízo acreditou que aquilo era real.

Projeto de fotógrafo brasileiro ganha Oscar do Desigh entre os países de língua alemã

Projeto de fotógrafo brasileiro ganha Oscar do Desigh entre os países de língua alemã

"Moderatrix Cariri" foi condecorado como um dos melhores trabalhos de design dos países de lingua alemã do ano de 2007. “Esse prêmio é o Oscar do Design entre os países de lingua alemã (Alemanha, Suíça e Áustria), meu trabalho foi o único premiado em fotografia entre os 619 concorrentes na minha categoria (no geral 2.000) e ficou ao lado de grandes outros trabalhos em diversas mídias. A fotografia e a concepção do "Moderatrix cariri" foram nomeados e condecorados...Melhor não podia ser!”, comemora Dada Petrole.

As fotos estão expostas em Berlim, vão para Munique, depois Hamburgo e Colônia. Em abril será publicado o livro Sushi 2007, com os trabalhos vencedores do ADC 2007.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Empresa é condenada por fotógrafo faltar de casamento

Uma doméstica e um tecelão de Juiz de Fora, Minas Gerais, vão receber uma indenização de R$ 4 mil de um estúdio de fotografia que foi contratado para registrar a cerimônia de casamento do casal, mas acabou não executando o serviço. O casal pagou R$ 280 em cinco parcelas cerca de um ano antes da cerimônia de casamento, em 21 de janeiro de 2006. Porém, nenhum fotografo apareceu para registrar o acontecimento. A condenação foi confirmada hoje pelo Tribunal de Justiça mineiro.

O estúdio de fotografia havia sido contratado para fazer a filmagem e fotografar o casamento do casal e funcionava no mesmo prédio onde o vestido da noiva foi alugado. Segundo os autos do processo os dois viviam juntos há 12 anos e já tinham um filho quando conseguiram juntar dinheiro para realizar a cerimônia de casamento. A noiva alegou ter entrado na igreja atônita, sentindo-se ofendida, frustrada, envergonhada e triste, porque o momento sonhado há mais de 10 anos "havia-se tornado um pesadelo".

De acordo com o desembargador Pereira da Silva, relator do processo, o descumprimento do contrato com o estúdio gerou constrangimento ao casal. "A falta injustificada do fotógrafo contratado à cerimônia de casamento, de forma indubitável, gerou aborrecimento e constrangimento aos noivos, ao perceberem que aquele importante momento de suas vidas não seria documentado", escreveu o magistrado em seu parecer.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Terceira edição do deVERcidade começa na próxima terça (27/11)

Durante seis dias os olhares de mais de 60 fotógrafos e artistas visuais estarão expostos das 17h a meia-noite no galpão do Mercado dos Pinhões em Fortaleza-CE

Tem início nesta terça-feira (27), a terceira edição do projeto "DEVERCIDADE", no entorno do Mercado dos Pinhões. Mais que uma exposição de fotografias e artes visuais, "DEVERCIDADE - uma cidade em cada olhar" marcará este ano a formação da Rede Norte/Nordeste de Fotografia, com encontro que contará com a participação de representantes de quase todos os estados das duas regiões. A proposta é que cada representante exponha o desenvolvimento da fotografia em seu estado e a partir daí seja criada uma rede de intercâmbio.

A abertura do DEVERCIDADE será as 20h de terça-feira, 27, no Mercado dos Pinhões, com a exibição do curta "Câmera Viajante", de Joe Pimentel e Tiago Santana, que contará com a presença dos seis fotógrafos populares do Cariri e de Fortaleza que participam do filme que assistirão pela primeira vez. Em seguida, o galpão será aberto para visitação .

Exposição
Durante seis dias os olhares de mais de 60 fotógrafos e artistas visuais estarão expostos das 17h a meia-noite no galpão. São fotografias, projeções e instalações que mostram as diferentes formas de ver a cidade. Entre os participantes, nomes conceituados como Celso Oliveira, José Guedes, Zé Tarcísio e Tiago Santana, e novos fotógrafos, como os integrantes dos grupos Gota de Luz, criado a partir das oficinas do DEVERCIDADE em 2006, e Clica Maravilha, que desenvolve trabalho de inclusão visual.

Encontro
De quarta-feira (28), a sábado (1º) acontecerá o Encontro da Rede Norte/Nordeste de Fotografia. Serão dois painéis por dia no Auditório do galpão, o primeiro das 16h às 18h e o segundo das 19h às 21h - com dois convidados em cada, seguidos de debate aberto ao público. Em outro momento, os convidados formarão grupos fechados de trabalho para estabelecer as metas da Rede e uma agenda comum. No domingo (02), data do encerramento do DEVERCIDADE, os participantes da Rede vão mostrar uma síntese do resultado dos trabalhos, com os passos que serão seguidos a partir do Encontro.

Oficinas
Também de quarta a sábado, das 14h às 18h, acontecerão duas oficinas de fotografia: Fosfoto - maquinas de fotografia artesanal feita de caixa de fósforo - (na sede do IFOTO, próximo ao galpão), ministrada por Maíra Gutierres e Zaneir Gonçalves, do grupo Gota de Luz; e Foto na Lata, ministrada no Mercado dos Pinhões por Estácio Júnior, do grupo Fortaleza na Lata. As duas oficinas são gratuitas e as inscrições devem ser feitas na sede do IFOTO. São 20 vagas cada, com idade mínima de 14 anos.

Vivência para Multiplicadores
De 28 a 30, das 9h às 12h, o fotógrafo Miguel Chikaoka terá uma vivência com multiplicadores. Paulista radicado no Pará, Chikaoka é idealizador da Fotoativa, um núcleo de referência na formação da maioria dos fotógrafos paraenses contemporâneos. Suas obras e realizações como educador ganharam projeção no Brasil e no Exterior. Possui obras em acervos de museus em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Nova York e Paris. A vivência será um reencontro com multiplicadores que fizeram oficina de fotografia artesanal com ele na edição de 2006 e o contato com pessoas que começaram a lidar com esta técnica a partir daí, como os integrantes dos coletivos Gota de Luz, Fortaleza na Lata e Clica Maravilha, entre outros convidados. Na sexta-feira o grupo vai pensar ações que podem ser feitas coletivamente. Será uma grande conversa sobre inclusão visual em Fortaleza. A vivência será realizada no Auditório do Galpão da Fotografia.

Lançamentos
Livros de fotografia serão lançados na sexta-feira (30) às 22h. Entre os quais, Na Palma do Olho, de Carlinhos Alcântara, primeiro livro da Coleção Local Foto. O livro resgata parte da obra do fotógrafo tetraplégico Luiz Carlos Souza Alcântara, carioca falecido em 2004, que passou parte de seus quase 50 anos fotografando em uma cadeira de rodas. O livro é resultado de um ensaio produzido quase inteiramente no Conjunto Palmeiras. Na mesma noite também serão lançados livros de Celso Oliveira, Ricardo Damito, Aristides Alves (BA) e Ângela Magalhães (RJ).

Curtas e shows no Pátio do DEVERCIDADE
Uma novidade no DEVERCIDADE este ano é o pátio do DEVERCIDADE, um espaço de convivência com serviço da Mercearia dos Pinhões. De lá, os visitantes poderão conferir os curtas que serão exibidos de quarta a domingo, das 21h às 22h: "Câmera Viajantes" (Joe Pimentel e Tiago Santana), "Retrato Pintado" (Joe Pimentel) e "Não deu Tempo" (Tibico Brasil).

Shows
Uma programação de shows no galpão também marcará o DEVERCIDADE, sempre às 22h. Na quarta (28) apresenta-se o Grupo Vocal Cinco em Ponto. Na quinta (29), apresentam-se Paula Tesser e Valdo Aderaldo, na sexta feira, show Radioativa, com o músico Alex Costa. No sábado (1º) show do pernambucano Lula Queiroga e depois festa com o DJ Guga de Castro. E no domingo (02), encerrando o evento no palco do pátio, show da banda Dona Zefinha.

SERVIÇO
DEVERCIDADE 2007 - De 27 de novembro a 02 de dezembro no entorno do Mercado dos Pinhões.
Horário de visitação das exposições: das 17h a meia-noite.
Entrada: GRÁTIS

Participantes
Alex Costa
Alexandre Veras e Milenna Travassos
Ângela Moraes
Anna Gardennya Linard
Annádia Leite
Beatriz Furtado
Beatriz Sabóia
Beatriz Pontes
Ben-Hur Lima de Oliveira
Bia Fiúza
Camila Feliz da Silva
Carlinhos Alcântara
Celso Oliveira
Chico Gadelha
Chico Gomes
Chico Monteiro
Diogo Braga
Elaine Castro
Evelin Lima
Elian Machado
Francesca Nocivelli
Fabrício Fava
Fátima Rocha Perini
Fernando Jorge da Cunha Silva
Frederico Teixeira
Fill
Seu Alves Sapateiro
Gilvan Fausto de Sousa Filho
Gina Emanuela
Gustavo Pellizzon
Giovanni Santos
Henrique Torres
Igor Câmara
Danilo Cavalcante
Jardel Kennedy
P. Soares
José Guedes
José Guilherme Gama
Júlia Braga
Julyana Mourão Monte
Karen Anne Costa Pedregal
Lia de Paula
Marcus Vale
Natalia Kataoka
Nelson Bezerra
Nicolas Gondim
Nivando Bezerra
Nívia Uchôa
Patrícia Araújo
Paulo Gutemberg
Rafaela Nunes Eleutério
Raimundo Ferreira Filho
Rubens Venâncio
Salomão Santana
Sérgio Carvalho
Sheila Oliveira
Thiago Gaspar
Titus Rield
Ulisses Narciso
Wilton Matos
Zé Albano
Zé Tarcísio


Coletiva
Clica Maravilha
Fortaleza Na Lata
Gota de Luz
Grupo Nume
Grupo Ácido

Autor: Jornal O Povo - 23/11/2207

sábado, 17 de novembro de 2007

Moda refletida e idealizada

Fotógrafos, estilistas e stylists movimentam o mercado de moda em debate caloroso, realizado em evento planejado para discutir o segmento na sociedade contemporânea. Confira, agora, o que aconteceu nos últimos dias do Pense Moda, ocorrido na capital paulista

Aconteceu, de 5 a 9 de novembro, em São Paulo, em uma sala Cinemark do Shopping Iguatemi, o primeiro Pense Moda. Na última edição do Jornal da Comunidade, os leitores puderam saber tudo o que rolou nos dois primeiros dias de evento. Veja, agora, o complemento da cobertura realizada in loco, com os acontecimentos dos últimos dias.

O Pense Moda reuniu fotógrafos, estilistas, stylists, produtores, editores e estudantes de todo o país, trazendo também profissionais de Londres, com o apoio do British Council, para enriquecer os debates.

O objetivo do Pense Moda, como afirmou a jornalista Camila Yahn, idealizadora e realizadora do evento, é o de reunir estudantes e profissionais do segmento para que se possa pensar em novas possibilidades para o crescimento da moda no país. Um encontro para motivar parcerias e acabar com competições pouco produtivas.

“É uma satisfação enorme saber que finalmente aconteceu o Pense Moda. Foram dois anos de planejamento, conversando com várias pessoas envolvidas com a moda. O desejo de todos era o mesmo. Esse evento tem como meta trazer de volta os diálogos e parcerias. As coisas estão muito individualizadas. Só que é muito mais fácil fazer acontecer quando as pessoas estão juntas. Adianto que entre janeiro e fevereiro já teremos novidades sobre a próxima edição, como os nomes dos próximos convidados”, revelou Camila.

Hugo Scott
Na manhã da quarta-feira 7, a primeira palestra foi a de Hugo Scott. Ele veio de Londres para compartilhar os conhecimentos que adquiriu ao trabalhar para o Dover Street Market e, atualmente, como diretor da Marc Jacobs para o Reino Unido.

DSM tem a concepção e direção de Rei Kawakubo e trabalha com o princípio de reunir, em uma única atmosfera, o trabalho de diversos criadores, sejam talentos amplamente reconhecidos ou recém-descobertos. A proposta é que cada estilista coordene seu espaço como quiser, criando cenários livres, para que as marcas tenham sua filosofia bem representada.

“Lá, tive a oportunidade de conhecer pessoas muito especiais. Trabalhei com grandes e jovens designers. Organizava tudo e acompanhava o trabalho deles. Esse formato de loja funciona muito bem lá e o mais importante é que, apesar da diversidade e de alguns imprevistos, a visão inicial do projeto não foi perdida”, afirma.

Sempre entrando em contato com diversos estilistas e convidando marcas para fazerem parte da loja, Scott também teve de aprender a lidar com o não. “Balenciaga disse não uma vez. O mundo da moda tem muitas políticas e, no momento, a marca preferiu não aceitar a proposta. Tudo bem”, revela. Scott comenta que, por lá, as marcas de luxo são vendidas de forma diferenciada. “O DSM mudou a forma como pessoas fazem compras, é uma nova experiência. Muitas coisas podem até ser caras, mas elas só são encontradas lá. O que está de acordo com o mercado, já que cada vez mais as pessoas buscam por coisas únicas”, esclarece.

Depois de tirar algumas dúvidas sobre as empresas onde trabalhou e mostrar dezenas de fotos que revelam como funciona a DSM, a questão que fica é: qual a maior contribuição que Scott deixou para o Pense Moda? Bonito, simpático e excelente orador, fez com que muitos prestassem atenção apenas em sua beleza e quisessem saber se ele está solteiro ou não.

Entretanto, talvez se deva pensar com maior atenção no formato de mega mercados multimarcas, com cantos específicos de diversos estilistas. Será que essas lojas de departamento de luxo seriam bem aceitas no Brasil? Existe mercado para isso em território nacional?

Talvez seriam, sim, uma ótima opção para quem adora fazer compras e ama a experiência de mergulhar fundo em diversos universos da moda, sem perder muito tempo. Melhor ainda para grifes estrangeiras que queiram testar o mercado por aqui. Excelente para estilistas que estão se lançando no mercado se tornarem conhecidos. Ótimo também para marcas brasileiras que queiram ampliar a sua rede de distribuição de produtos.

Fotógrafos em chamas
Ainda no dia 7, finalmente, o Pense Moda mostrou com todas as letras a que veio. Foi na mesa redonda com grandes nomes da fotografia de moda brasileira que o debate pegou fogo e se lançaram grandes questões sobre os caminhos que o setor toma na sociedade contemporânea. Bob Wolfenson, Daniel Klajmic, Mario Daloia e André Passos compuseram a banca, tendo Ricardo Van Steen como mediador.

A primeira questão levantada por Ricardo foi quanto ao padrão de beleza mostrado pelas fotografias de moda. Onde estão as referências de beleza brasileira? Bob responde a questão dizendo que fotografia feita por um brasileiro é fotografia brasileira.

“A modelo é brasileira, a luz é brasileira, o cenário é brasileiro, a revista é brasileira, então a fotografia também é brasileira. Agora temos que levar em consideração que moda ainda é para a elite, o pensamento de moda é da elite. A moda está em um processo muito embrionário. Não acho que fazer uma foto caricatural do que é brasileiro seja o caminho. Não podemos ceder à idéia de que para ser brasileiro tem que ser caricato. O Brasil é multimídia”, posiciona-se.

Quando está em pauta o limite entre releitura e cópia de um trabalho, a temperatura sobe. Mário fala primeiro: “Depende do talento de quem faz”. Em seguida, Daniel afirma: “Por enquanto, ainda estamos fadados a usar referências. Quanto às editoras e leitores, estão preparados para lidar com o diferente? Se as pessoas vêem um trabalho e acham parecido com o que está na Vogue América, eles vão achar legal”.

E André pontua de forma ainda mais direta: “Chegam com uma revista gringa na mão e falam exatamente assim: ‘Vamos fazer isso?’ Já minha experiência lá fora foi diferente; eles chegavam e me perguntavam se tinha visto tal filme; pediam para eu assistir, pois, de lá, poderia sair alguma idéia interessante”.

Em seguida, o debate critica a postura dos editores de moda. “Vejo os editores de revistas como missionários. Ouço muito eles dizerem que alguma coisa não pode ser feita porque os leitores não vão entender. Mas são eles que têm o papel de ir criando uma educação de moda entre seus leitores. A minha sugestão é: Se uma revista tem 40 páginas destinadas a editorias de moda, que 30 sejam feitas desta forma. As outras 10 podem ser ocupadas por imagens inovadoras. Aos poucos, os leitores estariam sendo preparados para um material diferente”, fala Bob.

Outras questões surgiram e ecoaram pelas redações de várias publicações de moda do país. O que os editores podem fazer para dar maior liberdade de atuação aos seus fotógrafos? O fotógrafo só deve fazer os trabalhos que tenham a ver com ele? Como sobreviver comercialmente, se não se adaptar às exigências dos veículos para os quais prestam serviços? Fotografia é arte?

Um visionário
A manhã de palestras do dia 8 teve início com a manifestação do ponto de vista de Paulo Borges, diretor artístico da São Paulo Fashion Week. Com discurso direto, o visionário da moda mostrou seus pontos de vista.

“Hoje, o Brasil tem um pensamento de moda alicerçado em um conceito mais abrangente do que quando comecei a trabalhar com moda. Atualmente, o segmento é visto como criação, design e mercado, uma grande evolução, já que antes era tido apenas como vestuário. Entretanto, o Brasil ainda não está preparado para lidar com isso de forma plena. Por isso, cada evento tem uma meta e é preciso ter visão de futuro para não ser engolido pela própria ansiedade ou pelo coletivo”, inicia.

Paulo continua dizendo que ainda não há um planejamento sistêmico que pense o mercado de moda a longo prazo. “Ninguém mais atua sozinho e as pessoas precisam entender isso. O processo de construção é coletivo e, para que esse trabalho coletivo funcione, você precisa ter processos muito claros”.Ele diz que a moda já passou a ser vista de forma séria e profissional, o que tem atraído grupos de investimentos para o setor. A compra de algumas empresas gera negociações estratégicas positivas. Sinal de que as pessoas já entendem que moda é mercado e não apenas encontro social.

Outro aspecto que aqueceu a palestra foi quando questionaram o atual formato da semana de moda, principalmente no que tange aos conceitos de datas para lançar as coleções primavera-verão e outono-inverno.

“Não existem mais tendências, esse é um termo que ficou velho. E coleção? As pessoas fazem até 10 coleções por ano. Acabaram as referências sazonais. Até mesmo porque, com materiais tão tecnológicos, um tecido fininho e leve pode ter capacidade altamente térmica, o que desconstrói a tradicional imagem de moda inverno, com roupas volumosas e pesadas. A grande questão hoje é saber para quem você faz roupa”.

Paulo Borges também fala diretamente com as faculdades de moda e milhares de formados em moda que são jogados no mercado anualmente. Com qual foco essas pessoas estão iniciando suas carreiras? Segundo ele, se todos continuarem com o desejo de se tornarem estilistas, realmente não haverá emprego para todo mundo. O mercado é muito maior e oferece possibilidades de atuação mais diversificadas.

Para os empresários, a grande questão foi outra. “Eu não entendo como em pleno janeiro, alto verão, os comerciantes já estão liquidando todas as roupas de verão. Justamente no momento em que as pessoas viajam, querem se divertir e estão dispostas a comprar, os preços caem. As pessoas esquecem que o verão é a estação de maior apelo comercial. Isso reflete um mercado com muita falta de estratégia”, enfatiza.

Em um país que ainda padece de alto poder aquisitivo e alta dificuldade em aplicar sua reconhecida criatividade em planejamento de mercado, a moda ainda engatinha. Fica o medo do domínio do mercado por chineses e indianos com preços baixos, enquanto compradores estrangeirosainda questionam porque os brasileiros não conseguem entregar os pedidos em dia.

Sentado na platéia, Tufi Duek manifestou sua opinião: “Precisamos parar de achar que o governo tem de ajudar a gente. Temos que parar de ter pena do segmento. O Brasil tem que ser reconhecido por alguma coisa e descobrir como enfrentar o mercado sem precisar do outro. A gente tem que se preocupar com a gente, o mundo é desse jeito. Quero saber qual é a saída criativa para essa situação! A China é reconhecida pelo preço; Londres, pela criatividade; Estados Unidos, pelo mercado; a Itália, pela alfaiataria; e o Brasil? O Brasil vai ser desejado e reconhecido por quê?”. Fica a reflexão.

Autor: Beatriz de Oliveira - moda@jornaldacomunidade.com.br
Fonte: ComuniWEB

domingo, 4 de novembro de 2007

A humildade do click venceu a arrogância do coturno

Natal (RN) - Se fizesse o tipo presunçoso, desses que desdenham da notícia, ainda que ela lhe atravesse o caminho, Eduardo Maia diria ter acordado na manhã daquele sábado com a idéia fixa: iria para a rua fazer a fotografia que lhe daria o prêmio, porque antes desse negócio de inspiração e expiração ele era o tal e "acharia" a foto quando quisesse. Mas tudo se deu de forma bem diferente. Ele amanheceu naquela sábado, dia 9 de dezembro de 2006, para cumprir mais um plantão, como reza a regra - rigorosa, diga-se - do rodízio na redação. Bolsa a tiracolo, tomou o ônibus na altura do conjunto Pajuçara, entregou o vale-transporte ao cobrador e escolheu um lugar junto à janela. Para ver a vida passar e sentir o vento bater na cara. A rotina se repete ao longo dos últimos 21 anos, tempo de profissão que se mistura ao de dedicação ao jornal. Naquele dia ele teria mais uma prova de algo que é caro à profissão, mas aos presunçosos custa muito pouco: em jornalismo, muitas vezes não basta querer, é preciso, além da técnica, estar no lugar certo e na hora certa.

Dentro do ônibus que o conduzia ao trabalho, onde via a vida passar e sentia o vento lhe soprar o rosto, Eduardo ainda não sabia que a manhã daquele sábado reservaria surpresas. Há cerca de dois anos alçado à condição de editor, ele iria para a rua naquele dia, excepcionalmente, fazer a ronda policial. Cobriria a falta de um colega, adoentado. Se a vida de repórter não fosse tão corrida, ele até poderia se permitir pensar no tempo em que começou na profissão: meninote de 16 anos, acostumado a fazer somente festas de aniversário para o estúdio de um amigo, foi levado para o jornal a fim de aprender. Deram-lhe na ocasião um "osso". Hoje, mais experiente, diz que em vez do osso ganhou uma faculdade, a da rua, do aprendizado na marra. Estreou em grande estilo; trabalharia da meia-noite às 6h cobrindo a área policial, um dos carros-chefe do Diário de Natal naquela época, meados dos anos 80. A seu lado, uma lenda do jornalismo policial daquele tempo, o quase onipresente Pepe dos Santos.

Mas como a vida de repórter é sempre corrida e nem sempre dá para ficar lembrando do passado, Eduardo chegou logo ao jornal, arregaçou as mangas e reviveu, na prática, naquela manhã especialíssima de sábado o início da profissão. Fez a ronda policial que lhe cabia e já voltava para a redação, sentindo o mesmo vento familiar lhe soprar o rosto e vendo a vida passar pela janela do carro do jornal, quando deu-se, então, o instante. De repente, por volta das 11h, o tempo rodou num instante, como na música, e parou ali, na altura do posto fiscal de Igapó, no meio de uma ação policial que parecia contornada: cinco policiais militares, um deles com a arma na mão, cercando três rapazes, todos no chão e já imobilizados, enquanto o PM que aparentemente chefiava a operação se preparava para pisar as costas de um dos detidos, de coturno grosso e tudo o mais. Dói só imaginar a força com que aquelas botas pisaram as costas daquele sujeito, entregue e inerte.

É em momentos assim, em instantes curtíssimos como esse, que se difere o presunçoso, aqueles que bocejam diante da notícia e muitas vezes a deixam passar, do profissional que sabe: um flagrante não tem preço. Foi neste ponto "G" da inspiração jornalística, poucos segundos, que Eduardo Maia, um vigilante da notícia, sacou de sua Nikon D-70 digital, com lente 18 por 70mm, e disparou uma, duas, três, quatro, várias vezes. Até alcançar o grau de perfeição que considerou ideal. A reação dele ao que viu não durou mais do que vinte segundos, mais de dez disparos na máquina. É que para profissionais como Eduardo, uma boa fotografia não tem preço. Naqueles segundos iluminados, mal sabia ele, estaria fazendo história

No caso de Eduardo Maia, a partir dali aquele sábado que seria mais um entre tantos em que se deslocou de casa para acompanhar o final da edição do jornal de domingo - e fazer, caso necessário, uma ou outra foto para ilustrar as poucas páginas em fase de fechamento - tornou-se inesquecível. E dele resultariam outras datas igualmente importantes. O flagrante acabou estampado na capa da edição de O Poti do dia seguinte, 10 de dezembro de 2006, e gerou enorme repercussão.

Na semana passada, dia 25 de outubro mais precisamente, o coroamento disso tudo: numa cerimônia que lotou os 800 lugares do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, o trabalho que ao fotógrafo, a princípio, pareceu rotineiro foi aclamado como a melhor fotografia na área de Direitos Humanos produzida para o 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, o mais importante do país em seu segmento e atrás somente do Prêmio Esso entre aqueles de maior prestígio no jornalismo brasileiro.

A imagem de Eduardo Maia bateu a de outros 84 concorrentes, dos maiores jornais do país. Para dar idéia da qualidade do trabalho deste potiguar nascido em São Paulo do Potengi há 37 anos, uma fotografia retratando a guerra do tráfico de drogas no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro e até um livro inteiro de Fotojornalismo, chamado Retratos de Paz, de Leandro Taques, ficaram para trás na disputa com o flagrante de Igapó, feito em Natal.

Na hora de cravar o voto, a comissão julgadora não pensou duas vezes. O professor de fotografia do curso de Jornalismo da PUC-SP, Douglas Mansur; o diretor da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo, Nivaldo Silva; e o repórter fotográfico free lancer Eugênio Goulart, apontou a foto de Eduardo como a mais completa. Ainda para sentir o peso dado ao Vladimir Herzog: a cerimônia foi apresentada pelos jornalistas Heródoto Barbeiro e Mônica Waldvogel. Foram homenageados, além dos premiados nas várias categorias, o consagrado jornalista Audálio Dantas, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, o artista Elifas Andreato, criador do troféu, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, por sua atuação em defesa dos presos políticos durante a ditadura, o rabino Henri Sobel e o jornalista Caco Barcellos. Será que estava bem acompanhado este potiguar, casado, pai de dois filhos, americano roxo e flamenguista?

A apreensão diante da premiação e a expectativa da entrega não mudaram em nada a vida de Eduardo, salvo a correria para comprar um paletó e cuidar das burocracias do embarque. Para acompanhar tudo, levou a mulher - a parceira com quem divide, além das dificuldades da vida, as sessões dominicais do Encontro de Casais com Cristo e do Segue-me, movimentos da igreja católica. Ainda passou alguns dias na Paulicéia Desvairada, curtindo a ressaca da festa. De volta ao trabalho, mantém a vida de sempre - e não poderia ser diferente: acordar todo dia, arrumar-se apressado e tomar o ônibus que o levará ao trabalho. De preferência, buscando um lugar na janela, onde possa ver a vida passar rápido e sentir o vento lhe bater no rosto, tranqüilo e sereno, mas de olhos bem abertos: algo pode acontecer e profissionais como Eduardo não bocejam diante da notícia e nunca a deixam escapar.

sábado, 3 de novembro de 2007

Fotógrafos discutem preservação de imagem digital

Por Roberta Tojal

Campinas (SP) - Desde sua invenção, a fotografia tem sido utilizada como instrumento para a memória: um ínfimo recorte do tempo e do espaço que, registrado através da luz, poderá ser perpetuado por séculos. Porém, se não preservarmos essa imagem ela desaparecerá, como efêmera que é. A fotografia digital também se mostra frágil, colocando novos desafios para a preservação. Para muitos fotógrafos, a película fotográfica ainda é o meio mais seguro de conservação de uma imagem.

Essa foi uma das questões tratadas no 1º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, durante o seminário sobre a preservação da produção contemporânea, realizado no início de outubro, no auditório da sede do Itaú Cultural. Na mesa estavam presentes várias autoridades no assunto como Sandra Baruki, coordenadora do Centro de Conservação e Preservação Fotográfica (CCPF) da Funarte, Patrícia Di Filippi, coordenadora do laboratório de restauro da Cinemateca de São Paulo, Leandro Melo, professor do Centro Universitário Senac e Millard Schisler, representante brasileiro no Rochester Institute of Technology e que, por 13 anos, foi diretor da George Eastman House, ambas instituições dos Estados Unidos.

Como fazer para que milhões de imagens produzidas todos os anos não se percam? Como protegê-las da ação do tempo e garantir que elas continuem a comunicar ao longo de outras gerações? Desde o início da fotografia digital esse debate se tornou fundamental dentro dos centros de documentação e museus e, agora, começa a ganhar lugar também nas maletas fotográficas e nos arquivos pessoais de todos aqueles que adoram fotografar. Durante anos a chamada síndrome do vinagre (leia mais no final da matéria) foi a grande vilã que deteriorou quilômetros de rolos de filmes fotográficos, com seus fungos corroendo a história da vida privada de famílias em todo o globo. Porém, além da corrosão, existe um problema tecnológico: as indústrias estão produzindo cada vez menos papel fotográfico.“Além da restauração, existe a questão do material. Se uma imagem, hoje, estraga, muitas vezes você não pode fazer outra, pois não existe mais o papel. E a película fotográfica ainda é o meio mais seguro de conservação de uma imagem”, afirma Sandra Baruki, ao tratar da dificuldade de preservar os milhares de fotogramas que fazem parte de acervos públicos e privados. Baruki ressalta, ainda, a incerteza quanto ao tempo de vida dos suportes tecnológicos que, voltados para o mercado, podem desaparecer rapidamente das prateleiras das lojas fotográficas, deixando milhões de arquivos presos em um formato incompatível.

Essa preocupação também esteve presente nas intervenções de Millard Schisler e de Patrícia Di Filippi. Ambos lembraram a necessidade da preservação preventiva: que o próprio fotógrafo selecione e organize periodicamente suas imagens, mantendo-as atualizadas com as mudanças tecnológicas. “O que se guarda acaba tornando-se a nossa história e o que não é guardado se perde e é apagado de nossas memórias”, alerta Millard, para quem é importante que se tenha em mente que algo sempre se perderá, e que por isso precisamos escolher o que queremos guardar, principalmente diante da possibilidade, com a fotografia digital, de se produzir grande quantidade de imagens. Por isso, seria fundamental uma seleção periódica, para impedir que aquilo que é realmente importante se perca junto com todo o resto. Seguindo este raciocínio, Schisler e DiFilippi ressaltam a questão da velocidade com que novas tecnologias são colocadas e retiradas no mercado e como esta rapidez é um dos principais fatores de risco para a perda da memória fotográfica. Para evitá-la, é preciso sempre migrar os arquivos para a tecnologia mais recente, evitando que eles fiquem presos em um suporte obsoleto (como aconteceu com os disquetes).

Para Leandro Melo, a preservação preventiva é fundamental para minimizar os fatores da degradação do material. Mas, lembra ele, a questão não é apenas o quê guardar, mas como guardar. Essa foi outra questão discutida durante o seminário: a extensão dos arquivos. O padrão utilizado e recomendado pelos centros de memória ainda é o ponto tiff. A idéia proposta foi a de se salvar imagens com duas resoluções diferentes, uma mais baixa - para facilitar o acesso - e uma alta, destinada a um arquivo permanente. Ponto comum na fala de todos os palestrantes, portanto, é a preocupação com a vida dos arquivos: cada fotógrafo deve criar um sistema de catalogação de suas imagens que permita sempre revê-las, pois apenas com a revisitação é que a memória permanece viva.

A sugestão feita por Schisler é a de que cada amante da fotografia faça um livro por ano, escolhendo as fotografias que mais lhe significam: “monte, escreva legendas, dê um nome e mande encadernar com capa dura. Pronto: você terá uma prática forma de guardar viva suas memórias”.

Síndrome do vinagre

Esse nome lhe é atribuído pelo forte odor de vinagre gerado pela reprodução de fungos nas películas fotográficas de acetato. O processo ocorre por causa do acondicionamento inadequado. Ele pode expor a película à umidade e às altas temperaturas, favorecendo a proliferação de fungos devido ao ácido acético residual da revelação, que permanece na película, e se liga com os cristais de prata do filme fotográfico. Assim, partes da imagem terminam cobertas por esse fungo e partes são corroídas por ele.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Fotografia de 'A última ceia' faz sucesso na internet


Uma fotografia de alta definição do afresco de "A última ceia" de Leonardo da Vinci está fazendo sucesso na internet e já registrou mais de três milhões de visitas desde que foi publicada no site http://www.haltadefinizione.com/.

As pessoas voltaram a ver "A última ceia" em 1999, após uma restauração que durou 21 anos. No entanto, poucos privilegiados puderam contemplá-la, numa das paredes da Igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão.

O espaço estreito não permite que mais de 20 pessoas entrem ao mesmo tempo. As pessoas precisam reservar uma visita meses antes. Por isso, cerca de 300 mil pessoas conseguem vê-la anualmente.

Além disso, os visitantes não podem ficar a menos de dois metros de distância da famosa imagem.

O site, inaugurado no último sábado, oferece uma grande oportunidade para as pessoas observarem uma das obras-primas do artista renascentista.

A iniciativa de publicar uma imagem da obra no site é da editora De Agostini e da sociedade Hal9000, líder mundial no setor da fotografia de alta definição, com o patrocínio do Ministério de Bens culturais.

A qualidade da fotografia - 16 bilhões de pixels - permite que os internautas possam ver todos os detalhes da imagem de Da Vinci.

A obra ainda desperta paixões e a possibilidade de investigar cada detalhe a torna ainda mais fascinante. A imagem foi considerada enigmática em romances como "O código da Vinci".

Com a possibilidade de chegar tão perto da obra, as pessoas conseguem observar detalhes como um pequeno campanário - de menos de dois centímetros - que se vê da janela atrás de Jesus.

Os objetos que estão na mesa também podem ser vistos claramente, entre eles, copos com vinho e alguns pedaços de laranja num prato em frente a São Mateus.

Além disso, com um pouco de atenção, o internauta pode ver os detalhes do manto de Judas. Da Vinci pintou pequenos bordados dourados somente na roupa dele.

As pequenas rachaduras da pintura do renascentista, causadas pelo tempo e também porque Da Vinci resolveu pintá-la "a seco", também podem ser observadas.

Esta obra do pintor foi restaurada sete vezes com técnicas diferentes. Para fixar a cor, utilizaram colas que, com o passar do tempo, escureceram o original, até torná-lo quase imperceptível.

A pintura sobreviveu ao bombardeio em Milão, em 1943, já que os habitantes da cidade sustentaram a parede com sacos de areia.

Além disso, o artista não sabia que passava um rio por baixo da igreja, o que umedecia a parede. Isso provocou a perda da cor apenas dez anos depois de Da Vinci ter acabado de pintá-la.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Fotojornalismo cearense

O Instituto de Fotografia (Ifoto) abre hoje, às 19 horas, em sua sede, na Praia de Iracema, a exposição “Fotojornalismo no Ceará”, com trabalhos de 23 repórteres fotográficos que atuam no Estado

Fortaleza (CE) - As fotos da exposição foram escolhidas pelos próprios autores. São 23 repórteres fotográficos dos jornais Diário do Nordeste e O Povo. Além da exposição, vai ser realizado, a partir de hoje, uma série de encontros para se discutir o fotojornalismo produzido hoje no Ceará e no Brasil. A mostra é só a face mais visível de um projeto maior que vem sendo desenvolvido pelo Ifoto. A idéia é abrir um espaço para se discutir o que se produz no Fotojornalismo cearense hoje.


O Diário do Nordeste será representado na exposição pelos fotógrafos Cid Barbosa, Daniel Roman, Denise Mustafa, Fábio Lima, Gustavo Pellizzon, João Luís, José Leomar, Kid Júnior, Kiko Silva, Miguel Portela, Neysla Rocha, Silvana Tarelho, Thiago Gaspar e Tuno Vieira. Os representantes do jornal O Povo são Alex Costa, Dário Gabriel, Edimar Soares, Evilázio Bezerra, Francisco Fontenele, Mauri Melo, Natinho Rodrigues, Sebastião Bisneto e Thiago Gaspar.


A programação do evento inclui a promoção de um debate com os fotógrafos e editores de fotografia dos dois jornais para uma reflexão sobre essa produção. Para este evento foi convidado Evandro Teixeira, um dos mais importantes fotógrafos brasileiros. Ele faz palestra sobre os desafios de sua profissão e sobre o cenário do fortajornalismo no país. Evandro Teixeira dá palestra no sábado, às 19 horas, no auditório do Dragão do Mar.


Entre os trabalhos mais recentes de Evandro Nogueira está um projeto que se chama “68 destinos” (www.evandroteixeira.net/68destinos/home.htm), onde, a partir de uma única foto sua, produzida durante a passeata dos cem mil - na candelária, no Rio, em 1968 -, ele, 40 anos depois, procura essas mesmas pessoas retratadas na foto e descobre o que aconteceu com elas nesse período e o que fazem hoje. Este projeto vai se transformar num livro que está sendo finalizado e que será lançado em breve. No evento do Ifoto fotógrafo vai falar, principalmente, sobre seu projeto.

Vitrine da fotografia

O Ifoto, fundado há quatro anos na cidade de Fortaleza, é uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo desenvolver, promover e produzir programas e ações para o estímulo à produção, valorização e difusão da Fotografia no Ceará. Dentro das ações desenvolvidas pelo Instituto está a reflexão sobre as técnicas e a estética da fotografia produzida hoje.

Tendo em vista esta discussão, o Ifoto promove, nos próximos três meses (setembro, outubro e novembro), exposições e seminários para se pensar três áreas da fotografia no Ceará: fotojornalismo, fotografia publicitária e fotografia contemporânea. Na programação sobre fotojornalismo, está prevista uma mesa redonda com os fotógrafos dos jornais Diário do Nordeste e O Povo, no dia dois de outubro, e uma mesa redonda com os editores dos dois jornais no dia nove de outubro. Os eventos serão realizados na sede do Ifoto.

Serviço
Abertura da exposição ´Fotojornalismo no Ceará´, hoje, às 19 horas, na sede do Ifoto (Rua Gonçalves Lêdo, 307, Praia de Iracema - Fortaleza-CE). As visitas podem ser feitas de 14 às 19 horas. Informações: (85) 3254.6385.
Autor: Jornal Diário do Nordeste (28/09/2007)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"A fotografia por vários ângulos" - Entrevista com Simonetta Persichetti


Nascida em Roma, Simonetta Persichetti é jornalista, mestre em Comunicação e Artes e doutora em Psicologia Social. Escreve sobre fotografia há mais de 20 anos.
Ao longo de sua carreira Simonetta colaborou com revistas como Íris Foto e Paparazzi. Publicou dois livros: Imagens da Fotografia Brasileira 1, em 1997 e, Imagens da Fotografia Brasileira 2, em 2000. O primeiro livro recebeu o Prêmio Jabuti 1999, na categoria Reportagem. Durante seis anos (1996-2001) escreveu sobre fotografia para o jornal Estado de S.Paulo. Foi também editora de conteúdo do FOTOSITE, portal de fotografia, e editora de texto da revista REF, da Abrafoto (Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade). Foi professora de Teoria da Comunicação e de História da Fotografia na Faculdade de Comunicação e Artes do Senac, Bacharelado em Fotografia, além de coordenar o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Fotografia, na mesma Instituição.Foi ainda professora de Semiótica e Estética da Imagem na pós-graduação Lato Sensu em Fotografia da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Atualmente ministra cursos de História da Fotografia no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Juntamente ao professor e fotógrafo Thales Trigo, coordena e edita, desde 2003, a Coleção Senac de Fotografia, publicada pela Editora Senac, São Paulo.É integrante do Conselho Editorial da Revista “Discursos Fotográficos” do Curso de Especialização em Fotografia da UEL (Universidade Estadual de Londrina).Com toda essa experiência acadêmica e de mercado, Editor&Arte quis saber a opinião da profissional sobre a fotografia atual, as novas tecnologias, a interpretação de uma imagem, além de questões envolvendo os “dois lados do balcão” e como esses mundos (mercado e acadêmico) convivem.

Com que idade e em que contexto decidiu seguir carreira em fotografia?
Na verdade eu não decidi seguir a carreira de fotografia, ela me escolheu. Eu cursava jornalismo e queria ser, como muitos, correspondente internacional.Fui estudar fotografia na Escala Imagem-Ação em São Paulo, para ter mais uma ferramenta de trabalho. Quando me formei em jornalismo, conheci o fotógrafo Sérgio Sade que, na época, era editor de fotografia da Veja. Isso foi em 1979. Foi ele que me aconselhou a escrever sobre fotografia, uma área e um assunto pouco explorados na época. Quase não havia críticos de fotografia no Brasil. Comecei a escrever para ÍrisFoto, fazendo perfis de fotógrafos e adorei conhecer este novo mundo. Achei bem interessante entender como as pessoas se comunicavam além da palavra. Sou e sempre fui jornalista. Fotografo bastante, adoro fotografar, mas não sou e nem consigo me considerar fotógrafa.

Você acha importante cursar uma faculdade de fotografia?
Eu sou favorável ao estudo, à formação venha ela de onde vier. Pode ser até a não formal. Mas acredito e defendo que estudo nunca atrapalha, só ajuda. É claro que você não precisa fazer uma faculdade de fotografia para ser fotógrafo, assim como não precisa fazer uma faculdade de letras para ser escritor, ou artes plásticas para ser pintor. Mas acho faculdade fundamental. Lá os alunos têm um espaço para discutir, aprender com os colegas, experimentar, errar e não ser cobra­do por isso. A faculdade é o encontro do conhecimento organizado. Por isso acho importante.

Acha importante o diploma de jornalista?
Olha, esta é uma questão complicada. Jornalismo é uma técnica. Eu realmente acho fundamental a faculdade, estudar, aprender e continuar estudando mesmo depois de formado. Acho importante a pessoa entender o que é uma matéria jornalística, o que é fazer ou escrever para um jornal ou para uma revista. Acho que o relevante seria uma especialização em jornalismo, e não uma faculdade.

Como o mercado de fotografia trata a necessidade do diploma e outras questões acadêmicas?
Como o mercado fotográfico é na sua maioria formado por auto­didatas, no começo muitos criticaram e muitos apoiaram. Não é necessário ter um diploma em fotografia para ser fotógrafo. Acho toda obrigatoriedade, especialmente nessas áreas, burra. Mas reitero, acho importante estudar, ter a troca. Os alunos que saem da faculdade de fotografia têm um referencial de equipamento, história da fotografia, técnica, laboratório. Vão amadurecer na prática, no dia-a-dia, trabalhando, mas não vão precisar “reinventar a roda”, já terão a base.Além de fotografar e ser crítica de fotografia, você é formada em jornalismo. Como essa dupla formação auxilia nos dois campos?No meu caso só ajudou. Quando entrevisto os fotógrafos sei do que eles estão falando. Sei a quem eles se referem quando falam de algum fotógrafo ou de algum momento da fotografia. Então, no meu caso só acrescentou, nunca atrapalhou.

Gosta de se ver nas fotos, tem muitas fotos de família, amigos, fotos de lembrança?
Detesto. Como todo mundo, acho difícil me encontrar nas fotografias. Algumas pessoas fizeram fotos minhas que eu adorei. Mas também depende do momento. Em alguns momentos gosto muito.Coleciono fotos da minha família, tanto materna quanto paterna. Sou cercada de presenças. Inclusive tenho em meu escritório, penduradas nas paredes, fotos dos meus bisavôs, dos meus avôs, etc. Gosto de pensar que eles me inspiram, que minhas raízes estão neles. De alguma ma­neira me sinto pro­tegida por eles. Guardo também muitas fotos das minhas viagens pelo mundo. Eu adoro fotografia. Gosto de ver, não me canso nunca.Você gosta mais de fotos cor ou P&B? Por quê?Independe. O que me motiva é a fotografia. Eu adoro o Miguel Rio Branco e ele fotografa cor, assim como o Luiz Braga. Mas também gosto das imagens do Tiago Santana, da Paula Sampaio, da Elza Lima, do Luiz Carlos Felizardo que fotografavam em PB.

Prefere fotografar pessoas ou paisagens?
Isso também depende. Como não sou profissional e fotografo mais nas minhas férias, as paisagens acabam sendo privilegiadas. Gosto muito da fotografia de rua, de captar instantes e de fotografar também as pessoas.

Que máquina gosta de usar? Tem alguma “de estimação”?
Minha máquina de estimação é a primeira que eu tive e que ganhei em 1979. É uma Nikon FM, totalmente manual. Aprendi a fotografar com ela e é a que viaja comigo sempre.

Atualmente você está se dedicando mais ao mercado de trabalho ou a dar aulas?
Praticamente só dou aulas agora no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e na pós-graduação em fotografia da UEL em Londrina (Universidade Estadual de Londrina). Portanto estou mais voltada para o jornalismo como mercado. Além disso, juntamente com o Thales Trigo, sou organizadora da Coleção Senac de Fotografia. Já temos 10 volumes publicados e o 11 e 12 já foram entregues na editora. É um trabalho que gosto muito.

Como concilia as duas coisas em sua rotina?
Pode parecer bobagem o que estou te dizendo, mas é fácil, visto que tenho a sorte de trabalhar com o que escolhi, o que quero e o que gosto. Tudo envolve a fotografia.Se estamos na dita “sociedade da imagem”, o que a torna banalizada, como fazer para destacar uma imagem?Acho que o que torna banal uma fotografia é a preguiça de quem a faz, de quem a edita e de quem a publica. O problema não é fazer muitas imagens, mas sim como elas são feitas e usadas. Hoje em dia publica-se sempre a mesma foto. O que sai do clichê já se destaca.

Se a maioria das pessoas não sabe interpretar uma imagem é por conta de um fotógrafo despreparado para transmiti-la ou de um espectador despreparado para recebê-la?
As duas coisas. Não somos alfabetizados imageticamente. Muitas vezes tentamos encontrar coisas além do que está na foto, quando a interpretação na maioria das vezes é mais simples do que se imagina. Basta olhar e confiar não no que estamos vendo, mas no que sabemos, no que conhecemos. Deciframos uma imagem com nosso repertório, assim como quem fotografa só fotografa o que conhece, o que sabe. Portanto se você não tem nada a dizer, sua foto é pobre e sua interpretação também.

Se a percepção de uma imagem varia tanto de acordo com a bagagem cultural e experiências do espectador, como fazer uma fotografia transmitir o que o fotógrafo ou o cliente desejam?Vivemos num mundo contextualizado culturalmente, politicamente e economicamente. Devemos estar atentos a estes sinais. Eu gosto de pensar a fotografia como um ato comunicativo. Como em toda comunicação você precisa compartilhar o mesmo código. Se o que você quer não está na foto e você tem que explicá-la, a foto é ruim. A pergunta é sempre a mesma: o que estou fotografando e para quem? Daí a resposta é fácil.

Se o espectador só entende e só aprecia uma imagem que lhe traz algo de familiar, como inovar e surpreender sem se tornar incompreensível?
Exatamente partilhando o mesmo código. Como diz o Cristiano Mascaro, o legal é você tornar visível o invisível. A fotografia deve chamar sua atenção para assuntos cotidianos, para aquelas pequenas coisas que muitas vezes não prestamos atenção.

No artigo “A origem do nosso olhar fotográfico” você cita que nosso modo de enxergar e de fotografar foi totalmente influenciado pelas visões e registros dos europeus do século XIX. Pensando nos dias atuais e levando em conta a globalização, você acredita que essa herança ainda se mantém forte? Ou considera que a tecnologia que favorece a troca de experiências entre as culturas tornou homogênea a percepção do olhar?

Aqui temos duas questões: nosso olhar foi influenciado pela fotografia européia e, portanto, nosso imaginário tem essa formação. Nos sentimos muito confortáveis com o pictorialismo. Claro que hoje essa influência está diluída nas muitas imagens que já vimos. Quanto à tecnologia, acredito que estamos diante de uma transformação da visualidade. Ela nos aponta novos caminhos de representação de mundo. Toda nova tecnologia transforma nosso comportamento, por isso, nossa maneira de enxergar. Ainda não dá para precisar que mudança é essa, mas estamos diante de uma nova postura frente à imagem: tanto na maneira de produzi-la como na maneira de interpretá-la.

Você acha proveitosa ou prejudicial essa globalização do olhar?
Não gosto de colocações maniqueístas. Acho que já que estamos vivendo esta situação, vamos entendê-la e tirar o maior proveito para fazer um trabalho diferenciado. Em seu artigo “O clube do bangue-bangue” você relata a angústia vivida pelo fotógrafo Greg Marinovich ao se valer de momentos de tragédia da vida alheia para ter seu trabalho.

Você já viveu situação semelhante, ainda que não necessariamente em momentos de tragédia, mas já se sentiu invadindo além do limite a vida de outros para ter seu registro, seu trabalho?
Não, na minha fotografia não-profissional nunca aconteceu.

Se uma boa foto depende mais de uma boa imagem do que de técnica ou experiência de quem fotografa, o que é prioritário no curso de fotografia: ensinar a técnica ou ensinar a apurar o olhar? Como se ensina essa apuração do olhar?Como se dá esse “mix” atualmente nos cursos?
Não sei se concordo muito com essa afirmação. Uma boa imagem é o resultado de técnica e experiência e não fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Por acaso, ou por sorte, você até pode fazer uma boa imagem, mas não sustentar uma carreira. Um bom fotógrafo antecipa, prevê o que vai acontecer e precisa de domínio técnico para executar rapidamente a imagem. Na fotografia o desenvolvimento da técnica está intimamente ligado ao desenvolvimento da linguagem. Através da técnica você também apura o olhar. Mas acho necessário conhecer história da fotografia e acima de tudo, conhecer bem o trabalho de vários fotógrafos.

Você acha que os alunos de fotografia que se formam estão preparados para o mercado de trabalho?
Eu espero que sim (risos).

Como o lado professora influencia no seu trabalho e como o lado profissional influencia nas suas aulas?
Talvez seja ilusão minha ou prepotência, quem sabe arrogância....mas não me vejo muito diferente quando sou professora de quando estou escrevendo sobre fotografia. Aprendi muito com meus alunos. Muitas vezes eles foram os responsáveis por rever várias idéias ou conceitos já formados. A experiência de aula é fascinante, você cresce. Assim como escrever sobre fotografia. Eu estou sempre estudando, lendo, me informando. Muitas informações, até hoje, são os alunos que trazem para mim. Devo muito a eles.

Você consegue identificar pessoas especiais, que se destacam dentro do curso ou hoje está tudo homogeneizado?
Não tem muito como saber. Nem sempre quem se destaca numa sala de aula é o melhor no mercado e vice-versa. Cada um tem seu tempo, suas vontades.

Você acha que a tecnologia empregada hoje nos equipamentos é responsável por essa homogeneização?
Não. Isso é desculpa. Quando a fotografia surgiu em 1839, ela era uma nova técnica e um pintor francês, Paul Delaroche, saiu às ruas gritando que a pintura estava morta. Que todos podiam produzir imagens, que a arte tinha desaparecido. Hoje temos novos “Pauls Delaroches”. Muito barulho por nada!

Essa era digital ajuda ou atrapalha na qualidade do olhar? (Ela ajuda na técnica, mas não torna a qualidade geral meio nivelada?)
Acho que por enquanto não sabemos bem para onde estamos indo, mas estamos diante de uma nova forma de representação, portanto de inovação e não de banalização. Ao contrário penso que o digital vai arejar essa banalização.

Em relação à imparcialidade do fotojornalismo e lembrando da frase de Lewis Hine “Fotografias não mentem, mas mentirosos fotografam”, que é bárbara, o que você colocaria sobre as seguintes questões: -manipulação da imagem (photoshop e outros programas do tipo ou mesmo o fotojornalista montar a cena)-legendas óbvias que apenas descrevem o que já se vê na imagem-legendas mentirosas
Sobre manipulação eu penso o seguinte: a imagem sempre foi manipulada.Você não precisa mexer na imagem para manipulá-la, basta alterar seu conceito.Em 1839 Hippolite Bayard fez um auto-retrato onde se representava morto como crítica ao governo francês por não ter reconhecido sua paternidade na invenção da fotografia. Portanto essa imagem já era uma manipulação....Temos vários exemplos disso.Todos os governos ditatoriais manipularam imagens. Só que as pessoas não sabiam que isso era possível, hoje sabem e por isso questionam. O que é fantástico!Em relação às legendas óbvias: esse é o analfabetismo visual.A imagem está lá, eu a estou vendo, por isso o texto não tem que explicar, mas acrescentar informação. Já a legenda mentirosa é a pura manipulação da informação.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Fotógrafos de animais

Reportagem exibida pela TV globo no dia 08/12/06 sobre o dia a dia de um fotógrafo de animais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Palavra, imagem e encontros

Sou fã do trabalho do fotógrafo Tiago Santana, que por sinal esta lançando hoje, juntamente com 0 jornalista Audálio Dantas, no Centro Dragão do Mar de Fortaleza-CE, o livroO Chão de Graciliano”.

E resolvi publicar aqui no blog este artigo publicado no jornal O Povo, do dia 19/08/2007.

Tiago Santana, fotógrafo cearense, fala sobre o processo criativo de fotografar. Neste artigo ele analisa, o ensaio que deu origem ao livro O Chão de Graciliano, seu novo trabalho

Quando me solicitaram este artigo, a primeira coisa que perguntei foi se não poderia trocar as palavras escritas por fotografias. Na realidade comecei a fotografar exatamente para trocar a fala tímida da minha adolescência pela imagem.
A fotografia surgiu na minha vida como uma maneira de contar histórias e ajudar na minha reflexão sobre o mundo.

Durante a minha trajetória como fotógrafo, fui solicitado a falar sobre meu trabalho, o que me era muito difícil. Depois, enfrentando o desafio, comecei a descobrir muito sobre o meu fazer fotográfico, ao falar sobre ele.

Tenho procurado encontrar formas que liguem a minha fotografia às particularidades do meu lugar e que dialoguem com outros espaços-tempo. Talvez uma busca pela singularidade, em um mundo tão cheio de redundâncias. Encontrar uma forma de contar histórias com sutileza, estranheza, mistério.

Nos trabalhos a que mais me dediquei e que viraram livros, Benditos e agora O Chão de Graciliano, tento ir além do exotismo, do populismo que muitas vezes se tem em relação ao Nordeste, e mais precisamente ao sertão. Vejo tais trabalhos como uma busca do encontro com o outro. Busca na singularidade daquelas pessoas, em seus lugares, olhares e paisagens que me inquietam e me impulsionam a fotografar, como se eu quisesse, não só desvelar algo, mas também criar. Mostrá-los para os outros, mas, sobretudo para mim. Recriá-los em mim, como se, na tentativa de compreender um pouco sobre o outro, pudesse me (des)conhecer também.
O Chão de Graciliano foi um mergulho no universo do grande escritor Graciliano Ramos. Um desafio de interpretar com imagens o que ele fez brilhantemente com as palavras. Descobri nesse chão, que a fotografia tem muito da forma de escrever do "Velho Graça". Ele usava as palavras de forma sucinta, quase cirúrgica e dizia que as palavras não foram feitas para enfeitar, brilhar como ouro falso. As palavras foram feitas para dizer.

O que se poderia contar em uma lauda, ele dizia muito bem em um parágrafo. Esse poder

de síntese, sem perder a força, sem deixar de falar o essencial, omitindo o que deve ficar na imaginação e na construção do leitor, é o que, penso, a boa fotografia deve ter. O que se pode mostrar com várias imagens, pode estar em uma única imagem potente, capaz de fixar e perdurar.

Nesse mundo movido pela efemeridade da informação, considero um privilégio ter feito esse ensaio. Foi como voltar ao tempo onde se tinha "tempo" para esse tipo de fotografia. Poder se dedicar sem pressa, sem pautas fechadas, sem horário de fechamento, sem pressão dos sites, dos blogs ou das agências de notícias.

Atento ao mundo da fotografia contemporânea, sinto-me muitas vezes tentado a mergulhar em trabalhos mais abstratos, mais conceituais, mais experimentais, como conseqüência de alguém que está pensando e refletindo sobre o que faz. O que não se deve é simplesmente abusar dos "clichês da ruptura" para entrar no mundo dos discursos vazios. A meu ver, a superação pela superação muitas vezes neutraliza a potência do passado, a transformação do futuro e impede a emergência da singularidade, levando apenas ao consumo descartável.

Neste meu último trabalho, comecei a dar os primeiros passos em um formato novo para mim, e que é um desafio: fotografar com panorâmica. Foi a partir de minha identificação com o trabalho de Josef Koudelka, que comprei uma câmera semelhante à utilizada em seu livro "Kaos". Porém, enquanto a maioria dos fotógrafos usa a panorâmica voltada para paisagens, tenho fotografado "paisagens humanas".

Essa não foi uma decisão solta, sem conexão com o que faço, mas algo que venho amadurecendo. Minha fotografia é uma composição de muitas situações e cenas que acontecem dentro do mesmo fotograma, em situações que dialogam dentro do mesmo quadro. Muitas vezes o formato se torna pequeno para as informações que desejaria incorporar. Com o formato panorâmico, existe a possibilidade de se ampliar esse espaço e preenchê-lo com esse discurso, aumentando os fragmentos, diluindo as cenas, expandindo esse campo de visão do mundo.

Desta forma, acredito que uma fotografia para ser contemporânea não precise necessariamente romper com os princípios básicos da imagem técnica. "Fotografia desconstruída", "fotografia expandida", "fotografia diluída", ou outras categorias utilizadas para se denominar uma linha de fotografia produzida hoje. Sem dúvida, existem grandes trabalhos com esse princípio, a exemplo de Rosângela Renó e Vick Muniz. Porém, isso não impede que a fotografia, mesmo dentro do quadro aparentemente clássico da fotografia tradicional, ou seja, usando os limites do fotograma, possa transgredir, diluir, desconstruir e expandir. Meu trabalho é uma tentativa de fazer isso usando os limites da linguagem que escolhi, pelo menos até hoje, para exprimir o meu sentir no mundo.

Recentemente participei de um festival de fotografia contemporânea, em Arles-França, onde o que predominava eram imagens que necessitavam estar atreladas a um discurso, a um conceito para se tornar legível. Pois bem, em meio a imagens-clichê e imagens-desconcertantes, encontrei um grande mestre da fotografia, o indiano Raghu Rai, que encanta não só pelas imagens, fortes e carregadas de intimidade com a Índia, mas pela pessoa, pelo pensamento do grande autor que ele é. Apesar da fotografia dele prescindir do discurso, foi muito bom ouvi-lo falar.

Segundo ele, não importa o lugar de onde se é, pois este sempre será, paradoxalmente, grande demais e suficiente para a vida de um fotógrafo. Suas palavras sobre a pretensão de fazer uma única foto que coubesse toda a imensidão da Índia, ecoaram em mim. Uma única imagem. Uma única palavra. Economia e profundidade em Raghu Rai e em Graciliano Ramos. Malgrado as especificidades de cada forma de linguagem, o que importa, ou o que deveria mesmo importar é a inquietação, a instigação, a busca...

Aí me vem de novo a importância de estar tentando me exprimir aqui não por imagens, mas por palavras, pois estes encontros me conduzem no exercício de ser fotógrafo hoje.

Tiago Santana, é fotógrafo e diretor do IFOTO - Instituto da Fotografia
Veja no link abaixo, entrevista com Tiago Santana na TV Unifor:

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Primeira imagem digital completa 50 anos




A primeira imagem digital produzida está completando 50 anos, com apenas 176 pixels, 5x5 cm, foi pioneira e abriu caminho para imagens de satélites, scanners, códigos de barras, máquinas digitais e para manipulação de fotos digitais.

A imagem que retrata um bebê, foi feita por Russell Kirsch, no National Bureau of Standards (NBS, agora conhecido por National Institute of Standards and Technology, ou NIST), e partiu de uma pergunta que Kirsch fez a si mesmo em 1957: “O que aconteceria se os computadores pudessem olhar para as imagens?”, bom, o resultado foi uma revolução no mundo da fotografia, tanto que em 2003 a revista Life escolheu a imagem do bebê feita por Kirsch como uma das "100 fotografias que mudaram o mundo".

O bebê da foto é o filho de Kirsch chamado Walden que hoje em dia trabalha na área de comunicação da Intel.

domingo, 19 de agosto de 2007

Pioneiro da fotografia

Clique na imagem e veja a materia completa no Jornal da Globo

19 de agosto é o Dia Internacional da Fotografia, e hoje vou reproduzir uma materia muito interessante, sobre um francês, um dos pioneiros da fotografia, que morou no Brasil.

Você vai conhecer um dos menos conhecidos e mais importantes pioneiros desta técnica; ele era francês e viveu no Brasil. Suas descobertas tornaram possível um sonho do século dezenove: eternizar imagens em papel.

Para entender essa história, é preciso fazer uma viagem no tempo. A primeira fotografia foi feita em 1826, na França, por Nicephore Niépce: era um retrato de telhados vistos da janela.

Louis Daguerre e Hippolyte Bayard continuaram os experimentos na França. Na Inglaterra, Fox Talbot tinha a mesma obsessão.

E em Campinas, no interior de São Paulo, um artista e cientista autodidata também fazia suas descobertas. Era outro francês, Hercules Florence.

“A fotografia não foi inventada por um único homem. Foi inventada pelo Niépce, foi reinventada pelo Daguerre, foi inventada na Inglaterra pelo Talbot e nas Américas pelo Hercules Florence", conclui o historiador Boris Kossoy.

Florence nasceu em Nice, na França e chegou ao Brasil em 1824, aos 20 anos. Aventureiro, ele queria dar a volta ao mundo, mas ficou por aqui; cedeu aos encantos do Brasil, que desenhou durante a expedição Langsdorff – um botânico alemão que comandou um grupo do rio Tietê ao Amazonas.

“Na expedição ele teria começado a pensar que deveria haver uma máquina que registrasse todas as figuras rapidamente. Ali, então, eu acho que começou alguma coisa na mente dele", acredita Tereza Cristine Florence, trineta de Hercules.

No início do século 19, em diferentes partes do mundo, vários pesquisadores tentavam eternizar a imagem. Parte do processo já era conhecida; faltava aperfeiçoar a técnica e descobrir como fixar a imagem no papel. Em seus manuscritos, Hercules Florence conta que utilizou amoníaco para esse fim.

Também foi ele quem usou, pela primeira vez na história, a palavra “fotografia”: do grego, ‘foto’ quer dizer luz; ‘grafia’, impressão. Isso foi em 1834.

"É bem provável que se possam fotografar desenhos de uma maneira pela qual apresentem prateados em campos coloridos", escreveu Florence. Só cinco anos mais tarde, a palavra seria empregada na Europa.

Em 1839, Daguerre descreveu minuciosamente seu processo de registro da imagem. Distante do centro do mundo, Florence pagou o preço do isolamento, quando soube pelos jornais da descoberta do conterrâneo.

“Ele descreve nos manuscritos, que ele sentiu um tremor, uma tontura, e ele quase veio a desmaiar. Ele esperava ainda ter um reconhecimento, ter o privilégio da invenção. Realmente, aquilo foi muito forte”, conta a bisneta do inventor, Leila Florence.

Hoje, Florence é citado na bibliografia internacional entre os pais da fotografia. Mas isso levou quase um século e meio pra acontecer: em 1976, a pedido do fotógrafo e historiador Boris Kossoy, químicos repetiram nos Estados Unidos as experiências descritas nos manuscritos, e provaram a história que ainda é pouco conhecida no Brasil.

“Naquele momento se considerava a Europa como centro da civilização, tudo partia de lá. Como é que isso vai acontecer também no Brasil? Então, tem gente que não consegue engolir essa história”, diz Kossoy. “Mas ela está documentada, e está cada vez mais divulgada”.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Dia dos Pais

Inicio o meu blog, mostrando um pouco da emoção de ser pai de duas lindas crianças, Sara e Ester. E nada melhor do que registrar os momentos emocionantes que passei com elas por ocasião das comemorações do dia dos pais.

Começou na sexta, 10/08/07, quando tirei o dia para ir a um passeio do colégio delas no Beach Park, este promovido para a turma da Sara. Foi muito divertido, tive a oportunidade de passar o dia com elas e suas amigas de sala de aula, bem como seus pais que a acompanhavam. Mas quem mais aproveitou os brinquedos foi minha amada esposa, onde teve a coragem de descer no INSANO e no CALA-FRIO, dois brinquedos que passei foi longe, fiquei só registrando através de fotografias. No final do dia minhas filhas eram só alegria, se divertiram muito.

No sábado, 11/08/07, foi o dia da sala da Ester, a mais nova de 3 anos. Fomos para um passeio pela manhã na Trilha do Cocó. As crianças ainda estavam muito cansadas da maratona do dia anterior, bem como e eu e minha esposa. Foi uma luta para elas levantarem, a Ester foi nos braços dormindo, chegando lá elas estavam com mau humor, mas com o decorrer do tempo o humor delas foi melhorando. Fizemos a metade da trilha, e muitos registros fotográficos. No final foi muito gratificante.

No domingo, 12/08/07, reunimos a família na casa de meu cunhado, onde avós, pais, filhos e netos comemoramos esta data em família.

Reflexão: Josué foi eleito por Deus para levar Seu povo a uma terra prometida, e deixou uma Palavra importante para nós:
"Eu e minha casa serviremos o Senhor." (Josué 24:15).

É isto que peço todos os dias ao meu Deus, em nome do seu Filho Jesus Cristo, que ele possa estar guiando e nos orientenado na condução de nossa família.