segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Entrevista com Vicki Goldberg



"Fotojornalismo deve inspirar confiança"

Amem-na ou odeiem-na. Vicki Goldberg, gargalhada sempre pronta, é uma das críticas fotográficas mais conhecidas, senão a mais conhecida, dos EUA. Dedica-se há duas décadas e meia à paixão pelas imagens. Tem uma ampla obra publicada em vários países. O DN entrevistou-a em Lisboa
Fotografia é uma arte?

Para mim, não é importante que lhe chamem arte ou não. Eu adoro fotografia. Desde a década de 70, quando ainda quase ninguém fazia crítica fotográfica.

E o fotojornalismo?

Escrevi um livro sobre isso, intitulado O Poder da Fotografia - Como as Fotografias Mudaram as Nossas Vidas. Foi em 1991, mas continua a ser regularmente reeditado. Guerras, eleições, reformas sociais, tudo o que o fotojornalismo capta faz parte das nossas vidas e não tem necessariamente de ser arte, basta ser verdade.

Também fotografa esse tipo de acontecimentos?

Não conseguiria fazer duas coisas bem ao mesmo tempo, portanto prefiro elogiar - e criticar, se necessário - o trabalho dos outros.

Photoshop: o que pensa desta técnica que, em algum tipo de fotografia, se tornou quase básica? No fotojornalismo, por exemplo, "retocar" as imagens para se obter este ou aquele efeito...

Fotojornalismo não é definitivamente a mesma coisa que arte fotográfica, independentemente de ser artístico ou não. Por isso, penso que a característica principal do fotojornalismo deve ser o grau de confiança que inspira em quem a vê. Uma imagem publicada numa revista ou num jornal deve ser fiável. Daí a necessidade sentida pelos bons media - que ainda os há - de impor regras nesta área...

Para que não aconteça como, em Agosto de 2006, durante a guerra do Líbano, quando a Reuters publicou uma imagem de Beirute cheia de fumo, tirada pelo freelancer Adnan Hajj, mas que veio a descobrir-se que passou primeiro pelo Photoshop?

Sim, mas esse homem foi despedido e a agência retirou centenas de fotografias suas que tinha em arquivo. E muito correctamente, na minha opinião. Porque se não confiamos nas notícias, em quê iremos confiar? Onde estamos, afinal? Já se pode inventar tudo, nesse caso.

E quando são as próprias agências noticiosas a pressionar os profissionais da imagem, exigindo-lhes sempre mais?

Isso não é de agora, faz-me lembrar aquela história de 1898, durante a guerra americano-espanhola, quando o fotógrafo Richard Hardy Davis foi enviado especial e depois informou 'volto para casa, não há guerra nenhuma'. Então, o director William Randolph Hearst escreveu-lhe o seguinte: 'Mande as fotografias que eu trato da guerra.'.Foi o que ele fez. Serve isto para dizer que esse ramo do jornalismo tem uma grande responsabilidade: o compromisso com a verdade. Mas nem é preciso recorrer ao Photoshop para, eventualmente, adulterar o que vemos. Tiramos uma fotografia, não fazemos acrescentos nenhuns, mas podemos ter a tendência de só mostrar aspectos positivos ou negativos de uma dada situação.

Aceita a censura a priori que consiste no hábito de os famosos só aceitarem a publicação de imagens suas retocadas?

Não tenho muito a ver com celebridades (risos)... Quando Elizabeth Taylor apareceu a publicitar um perfume, há uns anos, a cara parecia a de uma criança de quatro anos, parecia que estava assim há anos e anos... Mas isto faz parte do mundo da moda e da publicidade. Penso que as pessoas sabem disso e aceitam. Até porque ninguém está à espera de algo diferente. Tudo depende do sítio onde se publica. Mas com notícias é diferente. Se uma fotografia é publicada na primeira página do New York Times é bom que seja verdade, fiável. Se é publicada num tablóide, daqueles que costumam inventar notícias, que diferença faz? Há muitos anos, um desses jornais tinha uma manchete a dizer "russos aterram na Lua" e a fotografia era um avião na Lua. Ora, o avião era quase tão grande como a Lua (risos). Ninguém com um mínimo de juízo acreditou que aquilo era real.

Projeto de fotógrafo brasileiro ganha Oscar do Desigh entre os países de língua alemã

Projeto de fotógrafo brasileiro ganha Oscar do Desigh entre os países de língua alemã

"Moderatrix Cariri" foi condecorado como um dos melhores trabalhos de design dos países de lingua alemã do ano de 2007. “Esse prêmio é o Oscar do Design entre os países de lingua alemã (Alemanha, Suíça e Áustria), meu trabalho foi o único premiado em fotografia entre os 619 concorrentes na minha categoria (no geral 2.000) e ficou ao lado de grandes outros trabalhos em diversas mídias. A fotografia e a concepção do "Moderatrix cariri" foram nomeados e condecorados...Melhor não podia ser!”, comemora Dada Petrole.

As fotos estão expostas em Berlim, vão para Munique, depois Hamburgo e Colônia. Em abril será publicado o livro Sushi 2007, com os trabalhos vencedores do ADC 2007.